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Reforma Tributária: como revisar a precificação de produtos e serviços com o IBS e a CBS?

A Reforma Tributária trará mudanças significativas na forma como as empresas calculam seus custos e definem os preços de produtos e serviços. Com a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), a composição da carga tributária sofrerá alterações que impactarão diretamente a formação de preços. Por isso, revisar a estratégia de precificação será uma etapa indispensável para manter a competitividade, preservar margens de lucro e garantir a sustentabilidade financeira do negócio durante e após o período de transição.

Atualmente, muitas empresas formam seus preços considerando tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS. Com a transição para o novo modelo, essa lógica será alterada gradualmente, exigindo uma nova análise sobre quanto a empresa paga de tributos, quais créditos poderá aproveitar e qual será o impacto efetivo sobre seus custos e preços.

Por isso, a Reforma Tributária não deve ser vista apenas como uma mudança na forma de calcular impostos. Ela também terá reflexos nas decisões comerciais, financeiras e estratégicas das empresas.

IBS e CBS “por fora”: atenção ao preço final

Uma mudança relevante para a precificação é a tributação “por fora”. De forma simplificada, IBS e CBS não integram suas próprias bases de cálculo, permitindo uma separação mais clara entre o valor da operação e o valor dos tributos.

Por exemplo, considerando apenas para ilustração um valor de R$ 100 antes dos tributos e uma alíquota hipotética de 28%, teríamos R$ 28 de IBS e CBS, chegando a um total de R$ 128.

Isso, porém, não significa que as empresas poderão simplesmente acrescentar os novos tributos aos preços atuais. O mercado, a concorrência, os contratos e a capacidade de repasse ao cliente continuarão influenciando o preço final.

Por isso, será importante avaliar quanto a empresa precisa receber pela venda, quanto corresponde aos tributos e qual preço é viável para o cliente.

Custos, créditos e margens precisam ser revistos

A Reforma Tributária também amplia a importância dos créditos tributários. Dependendo das características da operação, tributos pagos em determinadas aquisições poderão gerar créditos, reduzindo o custo efetivo para a empresa.

Assim, a revisão da precificação deve considerar não apenas IBS e CBS sobre as vendas, mas também os créditos das compras, os custos operacionais, a logística, a folha de pagamento, as despesas administrativas e a margem desejada.

O impacto também poderá variar entre empresas e setores. Por isso, sempre que possível, as simulações devem ser realizadas por produto ou serviço, permitindo identificar onde poderá haver aumento de custos, redução de margem ou necessidade de ajuste de preços.

A transição também exige planejamento

Durante o período de transição, o sistema atual e o novo modelo tributário conviverão gradualmente. Isso exigirá acompanhamento constante, pois a precificação poderá precisar de ajustes ao longo dos próximos anos.

Contratos de longo prazo com clientes e fornecedores também devem ser revisados, principalmente quanto a preços, reajustes e alterações tributárias.

Além disso, sistemas, cadastros e controles internos precisam estar preparados para as novas regras, evitando erros que possam afetar tanto o recolhimento dos tributos quanto a rentabilidade das operações.

As empresas não devem esperar a conclusão da Reforma Tributária para revisar seus preços. O ideal é começar a comparar o cenário atual com o novo modelo, considerando custos, créditos, tributos e margens.

Mais do que saber qual será a alíquota do IBS e da CBS, a empresa precisa responder a uma pergunta fundamental: como a nova tributação afetará o preço e a rentabilidade dos meus produtos ou serviços?

Com planejamento, simulações e acompanhamento das novas regras, será possível fazer os ajustes necessários de forma gradual e tomar decisões mais seguras durante a transição.